... Eu e ela somos o poder das incertezas. Aquilo que mostra a grande baboseira que é convencer-se de previsões.
Nós moramos juntos há certo tempo. Falamos bem pouco. Na verdade pouco nos comunicamos oralmente, o que me fez pensar no que estaria sustentando esta relação. Foi então que o dia de hoje veio e desanuviou meu pensar.
Cheguei em casa à noite. Era por volta de 19h. Ela já estava lá e encontrava-se na cozinha. Seria a cena típica de alguns tempos atrás, onde numa família nuclear o marido era o que sempre trabalhava e a mulher ficava em casa cuidado de seus rebentos. Talvez até fosse isso caso não fossemos somente nós dois e ela não trabalhasse mais do que eu.
O que importa é que a vi assim que cheguei. Ainda estava vestida do trabalho com aquele vestido preto que tanto adoro, seus brincos suaves de mesma cor. Ela adora pulseiras, mas dessa vez estava somente com o relógio. Quando a vi, parecia que uma eternidade havia se posto entre nós. Senti um tremor nas veias. Aquele vestido. Aquele corpo.
Cheguei perto dela, estava de costas escorada no balcão da cozinha lavando o que havíamos deixado ainda do café. Ela virou o rosto e me olhou rapidamente dizendo “você chegou!”, com o sorriso que tanto enlouqueço. Eu não disse uma palavra sequer, apenas beijei. Meus olhos se fecharam e um silêncio se fez presente. Como em um baile, minhas mãos pareciam estar em sintonia com o corpo dela. Uma percorria o entorno das pernas, subia e descia como em uma dança de tempo certo, leveza e sincronia. Enquanto a outra mão passeava pelos seios e o ventre numa massagem suave e prazerosa.
Eu apenas queria sentir, sem pensar. Enchia seu pescoço de beijos suaves, num ritmo cada vez mais intenso chegando a leves mordidas que depois mudaram-se para as orelhas. Pelas mãos eu sentia o calor do corpo dela, que me acalentava. Pela proximidade de nossos corpos sentia o seu movimento, o seu ir e vir, os sobes e desces dela sob meus carinhos. Pela boca sentia o gosto daquela pele macia e ainda cheirosa. O melhor gosto que já senti. E o cheiro... Ah aquele cheiro doce que só ela tem. Tanto o que exala da pele, quanto o que vem de cada fio de cabelo. Aos meus ouvidos chegava a sua respiração, cada vez mais ofegante, como a minha. Era a mais bela canção que jamais escutei. Incorrer-me-á uma injustiça com qualquer de meus sentidos caso me propusesse a escolher qual deles mais me apetece.
E depois várias e várias vezes daquele amor ali mesmo na cozinha, no silêncio de nossas bocas, pude ouvir cada grito daqueles corpos. Entendíamos-nos, ao nosso jeito. Você leitor dirá que é só sexo, e não amor. Mas existe muito neste jogo de corpos. São montes de palavras ditas a dois, mesmo sem dizer.
Hoje aprendi a escutá-las. Talvez seja este o sentido de amar... Do meu jeito e o dela de nos amar.
Nós moramos juntos há certo tempo. Falamos bem pouco. Na verdade pouco nos comunicamos oralmente, o que me fez pensar no que estaria sustentando esta relação. Foi então que o dia de hoje veio e desanuviou meu pensar.
Cheguei em casa à noite. Era por volta de 19h. Ela já estava lá e encontrava-se na cozinha. Seria a cena típica de alguns tempos atrás, onde numa família nuclear o marido era o que sempre trabalhava e a mulher ficava em casa cuidado de seus rebentos. Talvez até fosse isso caso não fossemos somente nós dois e ela não trabalhasse mais do que eu.
O que importa é que a vi assim que cheguei. Ainda estava vestida do trabalho com aquele vestido preto que tanto adoro, seus brincos suaves de mesma cor. Ela adora pulseiras, mas dessa vez estava somente com o relógio. Quando a vi, parecia que uma eternidade havia se posto entre nós. Senti um tremor nas veias. Aquele vestido. Aquele corpo.
Cheguei perto dela, estava de costas escorada no balcão da cozinha lavando o que havíamos deixado ainda do café. Ela virou o rosto e me olhou rapidamente dizendo “você chegou!”, com o sorriso que tanto enlouqueço. Eu não disse uma palavra sequer, apenas beijei. Meus olhos se fecharam e um silêncio se fez presente. Como em um baile, minhas mãos pareciam estar em sintonia com o corpo dela. Uma percorria o entorno das pernas, subia e descia como em uma dança de tempo certo, leveza e sincronia. Enquanto a outra mão passeava pelos seios e o ventre numa massagem suave e prazerosa.
Eu apenas queria sentir, sem pensar. Enchia seu pescoço de beijos suaves, num ritmo cada vez mais intenso chegando a leves mordidas que depois mudaram-se para as orelhas. Pelas mãos eu sentia o calor do corpo dela, que me acalentava. Pela proximidade de nossos corpos sentia o seu movimento, o seu ir e vir, os sobes e desces dela sob meus carinhos. Pela boca sentia o gosto daquela pele macia e ainda cheirosa. O melhor gosto que já senti. E o cheiro... Ah aquele cheiro doce que só ela tem. Tanto o que exala da pele, quanto o que vem de cada fio de cabelo. Aos meus ouvidos chegava a sua respiração, cada vez mais ofegante, como a minha. Era a mais bela canção que jamais escutei. Incorrer-me-á uma injustiça com qualquer de meus sentidos caso me propusesse a escolher qual deles mais me apetece.
E depois várias e várias vezes daquele amor ali mesmo na cozinha, no silêncio de nossas bocas, pude ouvir cada grito daqueles corpos. Entendíamos-nos, ao nosso jeito. Você leitor dirá que é só sexo, e não amor. Mas existe muito neste jogo de corpos. São montes de palavras ditas a dois, mesmo sem dizer.
Hoje aprendi a escutá-las. Talvez seja este o sentido de amar... Do meu jeito e o dela de nos amar.

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