Mais uma viagem na vida da mulher mais viajante que jamais conheci. Seu nome é Maria e este é só mais um trem que tomará sua vida. Bem, este tem um significado especial. Poucas vezes sua jornada será embalada por tantos pensamentos. Apaixonou-se outra vez. Quem não veria nisto um bom motivo para deixar de lado qualquer livro ou mp3, trocando-os pela doce companhia de bons pensamentos? Muitos não, mas para Maria sim.
Estação tranqüila, pouco movimento. É assim quando Maria resolve viajar num período em que todos estão estudando ou trabalhando. Ela prefere assim. É como se sua viagem fosse exclusiva. Nada de filas, trens lotados e hotéis sem vaga para ficar.
O trem parte e os primeiros pensamentos a tomam conta. O primeiro deles é interessante: seu último relacionamento. É mais fácil pensar nele agora. Engraçado como antes fora algo tão doloroso ao ponto de evitar qualquer momento de reflexão neste assunto. A mínima imagem que surgia em seus pensamentos causava-lhe uma dor imensa. Ela amou alguém que talvez nunca tenha sentido o mesmo por ela. Era alguém que apenas quis estar ao seu lado, sem se preocupar em sentir o mesmo. Alguém que queria apenas uma companhia.
Ela pensou na grande responsabilidade que você tem em mãos ao aceitar ter ao seu lado alguém que te ama. Pensou no quanto é irresponsável alguém que apenas aceita, sem sentir, sem querer viver o mesmo. Estar apenas por estar (condição terrível!).
Maria pensa que talvez tenha tido sorte. Ao menos conseguiu estar ao lado do alguém que tanto amava. Quantos nunca conseguiram. Mas logo uma pergunta a fez calar: será realmente sorte ter do lado alguém que não te ama? E logo outra pergunta veio em seguida: Teria eu sofrido menos se ele nunca tivesse me aceitado?
Esta pergunta ficou ressoando em seus pensamentos por um bom tempo durante a viagem. Algumas vezes pensava ter tido sorte, outras vezes achava melhor que nada tivesse acontecido. Mas o que será que dói mais: a certeza ou a dúvida? Ela não sabia responder. Só pensava no quanto as pessoas lhe diziam “é apenas um amor, você é tão nova, tem muita vida pela frente, terá muitos outros amores”. Pensava que realmente as pessoas têm razão. Ao olhar pra trás, parece até tempo perdido, ainda mais quando você começa a se interessar por outros. Mas pensa também no quanto é um tanto estúpido dizer a alguém enternecido de amor, que seu amado é apenas mais um. Dito de outra maneira, é como se o seu amor fosse tão fútil ao ponto de ser só mais um. E quem pode garantir que realmente seja?
Parece que quando se gosta mesmo de alguém logo pensamos que é para sempre. Mas depois que acaba a gente vê que não era. E Maria pensa “mas o que seria o amor senão acreditar que é para sempre? Mesmo que não seja... Mas deixemos os amantes viverem no privilégio deste pensar”.
Maria sente-se privilegiada outra vez. Mas dessa vez, é para sempre. E quem somos nós para dizer que não?
02/02/08
Estação tranqüila, pouco movimento. É assim quando Maria resolve viajar num período em que todos estão estudando ou trabalhando. Ela prefere assim. É como se sua viagem fosse exclusiva. Nada de filas, trens lotados e hotéis sem vaga para ficar.
O trem parte e os primeiros pensamentos a tomam conta. O primeiro deles é interessante: seu último relacionamento. É mais fácil pensar nele agora. Engraçado como antes fora algo tão doloroso ao ponto de evitar qualquer momento de reflexão neste assunto. A mínima imagem que surgia em seus pensamentos causava-lhe uma dor imensa. Ela amou alguém que talvez nunca tenha sentido o mesmo por ela. Era alguém que apenas quis estar ao seu lado, sem se preocupar em sentir o mesmo. Alguém que queria apenas uma companhia.
Ela pensou na grande responsabilidade que você tem em mãos ao aceitar ter ao seu lado alguém que te ama. Pensou no quanto é irresponsável alguém que apenas aceita, sem sentir, sem querer viver o mesmo. Estar apenas por estar (condição terrível!).
Maria pensa que talvez tenha tido sorte. Ao menos conseguiu estar ao lado do alguém que tanto amava. Quantos nunca conseguiram. Mas logo uma pergunta a fez calar: será realmente sorte ter do lado alguém que não te ama? E logo outra pergunta veio em seguida: Teria eu sofrido menos se ele nunca tivesse me aceitado?
Esta pergunta ficou ressoando em seus pensamentos por um bom tempo durante a viagem. Algumas vezes pensava ter tido sorte, outras vezes achava melhor que nada tivesse acontecido. Mas o que será que dói mais: a certeza ou a dúvida? Ela não sabia responder. Só pensava no quanto as pessoas lhe diziam “é apenas um amor, você é tão nova, tem muita vida pela frente, terá muitos outros amores”. Pensava que realmente as pessoas têm razão. Ao olhar pra trás, parece até tempo perdido, ainda mais quando você começa a se interessar por outros. Mas pensa também no quanto é um tanto estúpido dizer a alguém enternecido de amor, que seu amado é apenas mais um. Dito de outra maneira, é como se o seu amor fosse tão fútil ao ponto de ser só mais um. E quem pode garantir que realmente seja?
Parece que quando se gosta mesmo de alguém logo pensamos que é para sempre. Mas depois que acaba a gente vê que não era. E Maria pensa “mas o que seria o amor senão acreditar que é para sempre? Mesmo que não seja... Mas deixemos os amantes viverem no privilégio deste pensar”.
Maria sente-se privilegiada outra vez. Mas dessa vez, é para sempre. E quem somos nós para dizer que não?
02/02/08
