sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Maria e o Trem

Mais uma viagem na vida da mulher mais viajante que jamais conheci. Seu nome é Maria e este é só mais um trem que tomará sua vida. Bem, este tem um significado especial. Poucas vezes sua jornada será embalada por tantos pensamentos. Apaixonou-se outra vez. Quem não veria nisto um bom motivo para deixar de lado qualquer livro ou mp3, trocando-os pela doce companhia de bons pensamentos? Muitos não, mas para Maria sim.

Estação tranqüila, pouco movimento. É assim quando Maria resolve viajar num período em que todos estão estudando ou trabalhando. Ela prefere assim. É como se sua viagem fosse exclusiva. Nada de filas, trens lotados e hotéis sem vaga para ficar.

O trem parte e os primeiros pensamentos a tomam conta. O primeiro deles é interessante: seu último relacionamento. É mais fácil pensar nele agora. Engraçado como antes fora algo tão doloroso ao ponto de evitar qualquer momento de reflexão neste assunto. A mínima imagem que surgia em seus pensamentos causava-lhe uma dor imensa. Ela amou alguém que talvez nunca tenha sentido o mesmo por ela. Era alguém que apenas quis estar ao seu lado, sem se preocupar em sentir o mesmo. Alguém que queria apenas uma companhia.

Ela pensou na grande responsabilidade que você tem em mãos ao aceitar ter ao seu lado alguém que te ama. Pensou no quanto é irresponsável alguém que apenas aceita, sem sentir, sem querer viver o mesmo. Estar apenas por estar (condição terrível!).

Maria pensa que talvez tenha tido sorte. Ao menos conseguiu estar ao lado do alguém que tanto amava. Quantos nunca conseguiram. Mas logo uma pergunta a fez calar: será realmente sorte ter do lado alguém que não te ama? E logo outra pergunta veio em seguida: Teria eu sofrido menos se ele nunca tivesse me aceitado?

Esta pergunta ficou ressoando em seus pensamentos por um bom tempo durante a viagem. Algumas vezes pensava ter tido sorte, outras vezes achava melhor que nada tivesse acontecido. Mas o que será que dói mais: a certeza ou a dúvida? Ela não sabia responder. Só pensava no quanto as pessoas lhe diziam “é apenas um amor, você é tão nova, tem muita vida pela frente, terá muitos outros amores”. Pensava que realmente as pessoas têm razão. Ao olhar pra trás, parece até tempo perdido, ainda mais quando você começa a se interessar por outros. Mas pensa também no quanto é um tanto estúpido dizer a alguém enternecido de amor, que seu amado é apenas mais um. Dito de outra maneira, é como se o seu amor fosse tão fútil ao ponto de ser só mais um. E quem pode garantir que realmente seja?

Parece que quando se gosta mesmo de alguém logo pensamos que é para sempre. Mas depois que acaba a gente vê que não era. E Maria pensa “mas o que seria o amor senão acreditar que é para sempre? Mesmo que não seja... Mas deixemos os amantes viverem no privilégio deste pensar”.

Maria sente-se privilegiada outra vez. Mas dessa vez, é para sempre. E quem somos nós para dizer que não?

02/02/08

A Moça dos Filmes

Já é noite, mas é só seu começo. Em uma locadora, me encontro fazendo companhia a alguns amigos. Conversávamos sobre filmes. Um deles diz “olha, aqueles filmes são mais interessantes”, apontando para uma direção. Quando vejo, era uma cabine especial só com filmes pornôs. Desato a rir ali mesmo e todos caem na gargalhada, principalmente os homens.

Eis que vamos para a sessão de dramas. É minha parte favorita. Fico olhando filme por filme. Sei que não irei locar nenhum, mas caso encontre um interessante o indicarei para algum amigo. Estou eu olhando os títulos quando percebo a presença de alguém ao meu lado. É possível senti-la só pelo perfume, algo doce, suave e muito bom de sentir.

Minha curiosidade se excita e logo tento de alguma forma olhar para esta pessoa. Já havia percebido pelo canto dos olhos e pelo cheiro, que era uma mulher. Mas ela estava perto demais, fica um pouco indiscreto virar só para olhar. Foi então que ela se inclinou mais para frente para pegar um filme.

Aproveitei-me da situação para olhar o máximo possível. Ela tinha cabelos longos e negros, uma pele branca. Não usava brincos, no pescoço um cordão com um pingente que me parecia algo indiano, blusa branca, calça jeans e sandália de dedo. O seu rosto era coisa mais bonita que eu havia visto naquele dia, era difícil parar de olhar. Mas ela logo se voltou e ficou ereta novamente. Trazia um filme do Woody Allen na mão. Eu adoro os filmes dele. “Daria-me bem com ela”, pensei.

Dei logo um jeito de me afastar dela e assim um pouco mais distante poderia olhá-la melhor. Ao me afastar um pouco, encontro um amigo meu e comento “olha aquele filme ali, é muito bonito”. Ele olha para ela, balança a cabeça positivamente e diz “realmente, gostei desse filme!”. Nós sorrimos por um instante. Os dois olhando para a moça, tentando sempre certa discrição. Eis que ela se vira e ao menor dos seus movimentos os dois começam a olhar para prateleira de filmes como se estivessem interessados mais nos filmes do que em outra coisa. Ela então passa e logo é possível vê-la outra vez.

Foi até o caixa. Nós dois fomos até lá. Ouvimos quando ela disse “Marcela...”, referindo-se ao seu nome. Marcela... Marcela... Este nome tomou conta de mim o resto do dia. De repente se tornou especial. Bela Marcela acompanhou-me desde que saiu da locadora. Pegou ônibus comigo, foi até em casa, e até dormimos juntos. Tudo isso em pensamentos, claro,pois nem tudo é tão simples assim. Mas a vida é apaixonante e viver, é mais ainda.

04/02/08

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Sentido

... Eu e ela somos o poder das incertezas. Aquilo que mostra a grande baboseira que é convencer-se de previsões.

Nós moramos juntos há certo tempo. Falamos bem pouco. Na verdade pouco nos comunicamos oralmente, o que me fez pensar no que estaria sustentando esta relação. Foi então que o dia de hoje veio e desanuviou meu pensar.

Cheguei em casa à noite. Era por volta de 19h. Ela já estava lá e encontrava-se na cozinha. Seria a cena típica de alguns tempos atrás, onde numa família nuclear o marido era o que sempre trabalhava e a mulher ficava em casa cuidado de seus rebentos. Talvez até fosse isso caso não fossemos somente nós dois e ela não trabalhasse mais do que eu.

O que importa é que a vi assim que cheguei. Ainda estava vestida do trabalho com aquele vestido preto que tanto adoro, seus brincos suaves de mesma cor. Ela adora pulseiras, mas dessa vez estava somente com o relógio. Quando a vi, parecia que uma eternidade havia se posto entre nós. Senti um tremor nas veias. Aquele vestido. Aquele corpo.

Cheguei perto dela, estava de costas escorada no balcão da cozinha lavando o que havíamos deixado ainda do café. Ela virou o rosto e me olhou rapidamente dizendo “você chegou!”, com o sorriso que tanto enlouqueço. Eu não disse uma palavra sequer, apenas beijei. Meus olhos se fecharam e um silêncio se fez presente. Como em um baile, minhas mãos pareciam estar em sintonia com o corpo dela. Uma percorria o entorno das pernas, subia e descia como em uma dança de tempo certo, leveza e sincronia. Enquanto a outra mão passeava pelos seios e o ventre numa massagem suave e prazerosa.

Eu apenas queria sentir, sem pensar. Enchia seu pescoço de beijos suaves, num ritmo cada vez mais intenso chegando a leves mordidas que depois mudaram-se para as orelhas. Pelas mãos eu sentia o calor do corpo dela, que me acalentava. Pela proximidade de nossos corpos sentia o seu movimento, o seu ir e vir, os sobes e desces dela sob meus carinhos. Pela boca sentia o gosto daquela pele macia e ainda cheirosa. O melhor gosto que já senti. E o cheiro... Ah aquele cheiro doce que só ela tem. Tanto o que exala da pele, quanto o que vem de cada fio de cabelo. Aos meus ouvidos chegava a sua respiração, cada vez mais ofegante, como a minha. Era a mais bela canção que jamais escutei. Incorrer-me-á uma injustiça com qualquer de meus sentidos caso me propusesse a escolher qual deles mais me apetece.

E depois várias e várias vezes daquele amor ali mesmo na cozinha, no silêncio de nossas bocas, pude ouvir cada grito daqueles corpos. Entendíamos-nos, ao nosso jeito. Você leitor dirá que é só sexo, e não amor. Mas existe muito neste jogo de corpos. São montes de palavras ditas a dois, mesmo sem dizer.

Hoje aprendi a escutá-las. Talvez seja este o sentido de amar... Do meu jeito e o dela de nos amar.

Depois que passa nem é tão difícil assim

Encontrei-me nostálgico em meio a tantas roupas, fazendo as malas, vendendo a casa. Vou me mudar! Ela já foi. Iremos morar em outra cidade. Ela precisava viajar antes. Disse-me que necessitava resolver coisas urgentes. Ligava-me todos os dias, e todos os dias conversávamos sorrindo e cheios de saudades. “Te amo!”, ela me dizia. E eu repetia e ainda completava com “saudades...”.

Finalmente chega o dia de ir. Entreguei a chave para os novos donos da casa. Um amigo se propôs a me levar de carro ao aeroporto. No caminho, meu celular toca e era ela. Sua voz estranha, sem forças e tristonha. Ela chorava dizendo estar arrependida, mas sem dizer do quê. Meu coração encolhido, com medo de cada palavra que ela pudesse dizer. Algo acontecia. Insisti! Ela então disse: “Não venha mais... Eu não quero mais que você venha...”. Ela havia dormido com outro.

E foi como se o mundo deixasse de existir. Em um simples instante tudo perdeu o sentido. Tudo era somente uma dor. Das mais fortes. Daquelas que eu nunca senti. Era algo novo, algo terrivelmente incomum. Não consegui mais pensar em nada a não ser nela, a não ser na idéia de que tudo aquilo que construímos não existiria mais. Isto vinha até mim em forma de desespero, fantasiado de desesperança e vontades incontroláveis de pular a qualquer momento de uma sacada.

Não conseguia mais dormir. Nem tinha mais onde dormir. Tive de ir morar com meus pais. Tudo, simplesmente tudo, me lembrava o que vivi com ela e cada lembrança também me fazia lembrar que nada mais seria como antes. Busquei tratamento, e neste procurei por respostas, mas eu estava no lugar errado. Tentei ligar para ela desesperado, falei que a perdoava, só não queria era continuar a viver sem ela. Mas era tarde. Ela havia encontrado o que queria, aquilo que não tínhamos mais quando juntos, o tesão.

Fiz de tudo para ela voltar pra mim. Mandei recados, mandei flores, mandei histórias sobre tudo que vivemos. De nada adiantou. Tem coisas que simplesmente acontecem, e de nada adiantarão seus esforços, elas simplesmente não mudarão. Mas para descobrir isso você precisa tentar de tudo, jogar todas as suas cartas. Mas quando ver que você só está perdendo, então é hora de levantar da mesa e desistir do jogo.

Até que um belo dia, acordei, e a falta dela, eu não mais senti. Foram meses e meses, mas de repente aconteceu. Deixei com que acontecesse, sem medo... Foi quando me aconteceu outra coisa, outro amor. E o costume nos faz pensar e perder as esperanças. Mas o mesmo costume que constrói é também o que destrói. Tentarei fazer certo dessa vez.

28/01/08

Idas, Vindas e Vidas

“Vê-la já não é mais tão bom quanto era antes”, pensava Robert ao voltar para casa minutos depois de rever sua amada. Ele pensara que algo havia mudado. A sensação de ver Alice não era mais a mesma. Certas vezes era preferível permanecer em casa, sozinho, do que sair para fazer companhia a ela.

Pensou bastante e achou melhor terminar seu namoro de quase 3 anos. Sabia que Alice o amava mais que tudo e que era uma mulher incrível. Amável, carinhosa, atenciosa, compreensível e linda! O que mais um homem poderia querer? Mas mesmo com todos estes adereços, ele pensara que nada adianta se não há mais amor.

Marcaram um encontro, numa pequena praça. Ela já sabia do que se tratava. Notara certa mudança em Robert já há alguns dias. Algo lhe dizia que ele estava pensando em terminar. Depois de anos de convivência, ela o conhecia muito bem.

Alice foi preparada. Robert tentou as melhores palavras para tornar seu discurso o mais claro e menos doloroso possível. Mas nem o melhor dos discursos parece livrar-te da dor de perder um amor. E mesmo Alice já preparada, não pôde evitar. Ao soar do primeiro “devemos terminar nosso relacionamento...” suas lágrimas desataram a cair. Caíram todas em frente a Roberto, mesmo suas próprias mãos tentando impedi-las. Mesmo que evitasse soluçar, soluçava. Mesmo que evitasse qualquer irritação, se irritava.

Acabou. E já não havia muito o que fazer. Despediram-se e cada um seguiu seu para seu canto. Alice ligou e foi para a casa de sua amiga. Robert resolveu andar até sua casa. Estava longe, mas no caminho ele refletiria.

Nos braços da amiga, Alice chorava descontroladamente sob os consolos: “Chore... Chore bastante... Chore tudo que tiver para chorar, pois um dia este rio secará e outra vida irá começar. Não tema. Ainda temos muito que viver. Guarde as boas lembranças e depois trate de construir outras bem melhores...”. E ela chorou por uns bons minutos até que a fonte secou. Respirando calmamente, ela dormiu.

Robert caminhava até sua casa. Pensara no que acabava de ter feito. Pensou nas possibilidades de agora em diante. Sentia-se mais leve, mais aberto ao que viesse. Mas logo uma lembrança de Alice pulou no seu pensar. Lembrou-se das vezes em que encostava a cabeça no colo dela e dormia com seus carinhos. Lembrou-se das vezes em que acordava ao lado dela e via seu rosto metade coberto pelo seu cabelo curto. Alice era linda, uma pele branca bem vistosa e macia. O rosto tinha uma beleza diferente ainda mais acentuada pelo seu corte curto de cabelo.

Ele olhou pela rua, observou as mulheres que passavam. Alice era diferente. Todas pareciam tão iguais perto dela. Robert chegou em casa, viu o quarto cheio de fotos e mínimos detalhes que o levavam até sua ex. Foi tomar banho e aos primeiros pingos que tocaram seu rosto, lembrou-se dos sorrisos de Alice. Não havia sorriso igual. Nada era igual a ela.

Começou a doer. Robert viu seus olhos se encherem de lágrimas. Foi quando em um estalo ele havia percebido que abrira mão da melhor coisa que já lhe acontecera na vida: Alice. Um desespero enorme tomou conta do seu ser. Foi então que tentou se acalmar e pensar que isto era normal, que foi uma decisão difícil e que acabamos sempre cobertos de dúvidas.

Mas os dias se passaram e perceber que não teria mais Alice por perto o fazia entrar em constante desespero. Foi então que percebeu: a amava mais do que qualquer coisa em sua vida. Já era um pouco tarde para perceber isso. Muitos outros homens sabiam o quanto Alice era diferente e já sonhavam com este término. Vários ligavam oferecendo um ombro para chorar, passeios a dois, visitas, idas ao cinema. Robert sabia disso e seus ciúmes só faziam amá-la mais ainda.

Agora ele não estava mais só. Sabia dos seus concorrentes. E o mais curioso, a grande maioria eram ex-namorados de Alice, ou seja, outros arrependidos.

29/01/08

A Carne e Sua Devida Maciez

Tomas estava deitado no sofá quando Alana chegou em casa cansada depois de um dia inteiro procurando emprego. Ele, completamente cheio de tesão, mal esperava pelo momento de sua amada aparecer. “Irei beijar cada centímetro do corpo dela e arrancar-lhe a roupa com os dentes”, pensou Tomas. “Chegar em casa será um alívio. Neste momento meu único sonho é minha cama macia”, pensava Alana.

E pelos já apresentados desejos desencontrados, o circo se armou assim que ela chegou em casa. Tomas ouviu o barulho da porta se abrindo e sabia que era ela. Levantou-se no mesmo instante e foi até o encontro de Alana. Assim que a viu disse “oi meu amor...”, pegou-a por detrás do pescoço, agarrando-lhe pelos fios de cabelo. Veio então um beijo forte e cheio de paixão.

Alana completamente cansada tentou se afastar um pouco, e assim que conseguiu liberar sua boca dos beijos de Tomas, disse – Oi amor, boa noite... – Ele logo percebeu a atitude um tanto arredia de Alana e perguntou se algo estava acontecendo. Ela apenas disse que estava muito cansada. Contou-lhe que passara o dia inteiro em filas de empresas, esperando para fazer suas entrevistas e quando não, estava deixando currículos em outras. Esperava a compreensão de seu amado e apenas queria seus carinhos, nada que seja muito cansativo. Ou seja, sem sexo.

Esta ultima parte, por alguns motivos, parece não ter sido compreendida por Tomas. Seus ouvidos pareciam não ouvir o que Alana acabara de dizer, tanto que depois dela contar o que lhe havia acontecido no dia, da forma mais objetiva possível, mesmo assim, ele voltou a beijá-la. Agora fazia tentativas pelo pescoço. Alana estava quase para se render, apesar de muito cansada. As mãos de Tomas começaram então a visitar o interior da blusa de Alana. Ela começava a sentir calafrios a cada centímetro que as mãos dele subiam por dentro de sua roupa.

Por um súbito instante Alana parece ter entrado em outra dimensão com aqueles toques. E ao retornar, percebeu que Tomas já havia retirado seu sutiã e estava nesse momento desabotoando a roupa dela. Alana então com os olhos um tanto fechados dizia quase sem forças: “Não... Não...”. Com as mãos, tentava segurar as investidas de Tomas, o que apenas fazia com que ele se sentisse ainda mais tentado a continuar.

Blusa no chão, Tomas empurrou-a. Alana caiu calculadamente deitada no sofá. Não se ouviu mais nenhum “não” e nem qualquer outra tentativa por parte dela no intuito de impedir qualquer coisa. Ela se entregou.

30/01/08